Benefícios do chá - Alerta! Saúde

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15/01/2015

Benefícios do chá

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Produtos regionais

Qualidade e benefícios do chá…

Açoriano!

 

O engenheiro Hermano Mota, proprietário da Gorreana, conta-nos, em termos de contextualização histórica do início do cultivo do chá na ilha, que na segunda metade do século XIX, as famílias ricas de S. Miguel estavam ligadas à exportação da laranja Porém, as laranjeiras sofreram uma doença que levou à sua extinção em apenas dois anos.

Esse percalço foi determinante para o início do cultivo de chá na ilha…

Sobre o incidente em questão, o engenheiro Hermano Mota refere que essas pessoas que cultivavam a laranja não cruzaram os braços, pois tinham um espírito perseverante e empreendedor: fizeram frente ao problema, criando a Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense.

Na altura, verificou-se uma falta de álcool, os membros da referida Sociedade foram ao Brasil, de onde trouxeram vários tipos de batata-doce, surgindo então na ilha três fábricas de álcool, as quais são extintas mais tarde devido à política de indústrias condicionadas, imposta por Salazar.

Trouxeram, do mesmo modo, outras plantas, como o eucalipto, a criptoméria, a hortênsia, a conteira e o chá.

Seis famílias tinham propriedades na costa norte de S. Miguel, revelando-se esta zona a mais indicada para plantações de chá. A Gorreana faz parte desse grupo de famílias.

Tendo em conta a propensão para o cultivo de chá, a Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense contrata dois chineses, que vêm até cá para ensinar os meandros da produção.

“Em 1883, as pessoas ligadas à produção de chá apresentaram o seu produto em Ponta Delgada. Nesse ano, a Gorreana fez o seu primeiro quilo de chá e desde então, temos tentado manter a produção todos os anos”, recordou Hermano Mota.

O engenheiro afirma que temos, na ilha, um consumo de chá bastante alto per capita.

As condições ideais

O engenheiro explica que o chá necessita de terrenos fundos, não alagados e com reação ácida. Necessários são também 2 cm de água por mês. “A humidade que envolve os Açores é benéfica para o chá; na costa norte chove com frequência, o solo é ácido e temos menos horas de sol”, descreveu Hermano Mota.

O chá Gorreana é equilibrado na sua composição.

 

 

Aromas

Os chás da Gorreana são bastante aromáticos – “Nós não fermentamos as folhas, não o fazemos porque os taninos estão equilibrados”, definiu Hermano Mota.

O chá dos Açores tem características únicas, que o distinguem de outros cultivados noutras partes do mundo.

“O nosso tanino não está tão presente como no chá de África. A seguir à rolagem do chá – sendo o objetivo desse processo a extração da seiva de dentro da folha –, a folha é exposta ao ar para oxidar. Para o nosso chá, quatro horas são o suficiente para neutralizar o tanino com a oxidação”, afirmou o engenheiro da Gorreana.

“Os ingleses, para neutralizar esses taninos, utilizam leite. Se o chá tem mais taninos, tem de ficar mais exposto ao ar e acaba por fermentar, e isso conduz à destruição de alguns compostos do chá”, advertiu o produtor de chá.Para garantir o sabor e qualidade do chá, a água é muito importante, bem como a forma de preparar a folha.

eng.º Hermano Mota

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Como preparar o chá?

Na preparação do chá preto, logo que a água entre em ebulição deve desligar-se o lume. Junte as folhas e quando estas alcançarem o fundo do bule, o chá está pronto.

O chá verde é feito a partir da mesma planta – a Camellia Sinensis –, todavia o tratamento é diferente: no chá verde não há oxidação. “Recentemente, começámos a comercializar numa grande superfície no Continente, e a produção de chá verde teve de ser aumentada”, comentou Hermano Mota.

Para a produção de chá verde deve aquecer-se as folhas com vapor de água, para fragilizar as paredes das células onde está a seiva, as folhas vão ao enrolador apenas 5 ou 6 minutos, dado que é o suficiente para retirar a referida substância. Ao sair do enrolador, é levado de imediato para o secador. O chá preto vai ao enrolador e é mantido lá por uma hora.

Nos anos 50 e 60, a Gorreana produzia chá semifermentado para duas grandes pastelarias no Continente: a Benard e a Versailles. Através das mesmas, o chá Gorreana tinha bastante procura, sendo os chás comerializados o Oolong e Pouchong. “Nessa altura fazíamos 3 ou 4 toneladas de cada um. Mais tarde essas pastelarias perderam popularidade e depois subiu o consumo de Pekoe. Atualmente fazemos a mesma quantidade de chá verde e preto, o verde até tem subido um pouco”, asseriu Hermano Mota.

Aspeto que dificulta a produção de chá é o custo da energia elétrica, pois a produção de chá consome muita energia. “O avô da minha esposa apostou na energia elétrica, fazendo uma captação de nascentes, com sorte o prédio tem nascentes fortes, que asseguram a produção de energia a custo baixo e, consequentemente, a continuidade de produção do chá”, narrou o engenheiro.

Na Gorreana ainda se produz o chá tradicional ou ortodoxo, havendo o Pekoe, Orange Pekoe e Broken Leaf. Com as novas tecnologias, tal terminologia já não se utiliza, mas sim a Primeira, Segunda e Terceira apanha.

Hermano Mota sugere, como faz no seu lar, tomar um Pekoe ao pequeno-almoço, um Orange Pekoe da tarde e mais à noitinha, um Broken Leaf. Um chá verde pós as refeições é uma boa opção também, pelo seu carácter digestivo.

Hermano Mota sublinha que não se utilizam aditivos no chá enquanto se trabalha a folha.

Na Gorreana, são feitas adubações azotadas, não utilizando muito azoto, apenas 130kg para cada hectare e só devido a essa adubação (que garante o sucesso de grandes produções) é que este chá não pode ser considerado biológico.

“Nos Açores, não temos de combater o aranhiço vermelho, o mosquito do chá e a mosca-verde, nem temos necessidade de fazer tratamento contra fungos ou insetos”, defendeu Hermano Mota.

As primeiras sementes desta planta vieram da China.

A Camellia Sinensis tem uma folha pequena, contudo, “logo a seguir à II Guerra Mundial, trocavam-se mercadorias com mais facilidade e verificámos concorrência de outros chás. Foi encontrada na Índia uma dessas plantas cujas folhas eram maiores, o que renderia mais e duplicaria a produção”, contou Hermano Mota.

“A nova planta, trazida da Índia e cruzada com a já cá existente, resultou numa nova planta, a que existe atualmente. Interessante que esta seja resistente ao vento carregado de sal”, afirmou o engenheiro.

Dado a sua resistência, essa planta não necessita de fungicidas, herbicidas e pesticidas.

 

Benefícios para saúde

  • Beber água fervida – a água açoriana tem muita qualidade.
  • O chá é um bactericida natural, bom para infeções na boca.
  • É  antioxidante, mas atenção: se ferver muito, o chá perde essas qualidades;
  • Os chineses, grandes consumidores de chá, são a população mundial com menos      cáries e menos cancros de pele.
  • Bom para o trato digestivo.
  • Protector de problemas cancerígenos.
  • O chá verde reduz a acidez no estômago, facilita a eliminação de gorduras, é  bom para o colesterol e, sobretudo, melhora o funcionamento do fígado, diminuindo a acidez, a vesícula esforça-se menos.
  • O chá verde é diurético.
  • O chá preto tem taninos oxidados, no entanto, com a ação da bílis, há redução de óxidos, o que faz com este tipo de chá o tenha antioxidantes a  funcionar nos intestinos.
  • O chá preto é vasoconstrutor, é indicado para diarreias.

E, sem dúvida, é uma bebida agradável!

 

Por quê beber o nosso chá e não outros?

O engenheiro Hermano Mota não descura a sua responsabilidade para com aqueles que da Gorreana dependem: “temos 32 funcionários, são várias famílias, que vivem da produção de chá, além disso, o cultivo de chá faz parte do modo de vida, da tradição das pessoas da Maia e de S. Brás.

Nós, proprietários da Gorreana, estamos na 5ª geração ligada ao chá. A grande parte dos nossos novos colaboradores pertencem igualmente à referida geração de pessoas ligadas ao chá. Este chá já não tem segredos, também para eles”.

Ao beber chá Gorreana, está ajudar o que também é seu, da sua história e tradição como açoriano.

“O chá é de igual modo um valor turístico da nossa terra”, defendeu Hermano Mota.

O chá Gorreana é enviado semanalmente para todo o mundo. “Recebemos cartas com referências de clientes a manifestar o gosto pelo chá e a recordarem-nos de que não passam sem ele. Temos consumidores por todo o mundo, há anos, e fiéis. O nosso chá pode até não ser o melhor do mundo, mas tem características únicas e especiais, muito apreciadas por pessoas de todo o planeta”.

Leia o texto da dietista sobre este tema aqui: http://alertasaude.com/o-cha/

Texto: Alerta! Saúde
Imagem: Alerta! Saúde; DR

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