Entrevista: Ambiente e energia - Alerta! Saúde

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23/12/2012

Entrevista: Ambiente e energia

Flores

Dado o grande impacto que o ambiente tem sobre a saúde de toda a população e o papel preponderante que a energia desempenha nesse campo, entrevistámos a Dra. Maria do Carmo Martins, Administradora do Grupo EDA, afim de sabermos como esta empresa encara a temática ambientel e como atua na proteção do nosso ambiente, salvaguardando consecutivamente a saúde de toda a população.

Dra. Maria do Carmo Martins

Dra. Maria do Carmo Martins

Que  medidas dispõem para proteção do ambiente?

A necessidade de organização e sistematização da gestão nas empresas leva a que as mesmas, de um modo geral, definam a visão do negócio, a missão empresarial, os valores essenciais, os objetivos estratégicos, ou seja, um conjunto de instrumentos de gestão que articulados entre si permitem espelhar junto de todos os intervenientes as grandes linhas orientadoras. Na EDA, esta realidade não é diferente.

A empresa, desde logo, percecionou o impacto que a sua atividade – fornecimento de energia elétrica – tem sobre o ambiente, pelo que encontramos na sua Missão e Objetivos Estratégicos referências específicas à salvaguarda e respeito pela Natureza.

O endereçamento desta temática deste modo, permite abranger transversalmente todas as atividades da empresa – Produção, Transporte e Distribuição e Comercialização de Energia Elétrica – para além das funções de suporte e logística onde estas questões são, de uma maneira geral, menos evidentes para a população.

Ao nível da Produção, atividade com grande impacto sobre a Natureza, assumimos a opção estratégica de maximização da utilização de energias renováveis. Neste campo, a EDA colocou os Açores num patamar de referência no contexto português e internacional. Por exemplo, em 2012 espera-se que a Produção de Energia Elétrica de origem renovável, englobando-se a Geotermia neste conceito, seja de 29%. Na Europa, em 2010, a percentagem de produção de energia elétrica de origem renovável foi de 24%[1] .

Na exploração dos recursos geotérmicos, a EDA, através da sua empresa associada SOGEO, desenvolve um apurado trabalho de monitorização de todos os impactos ambientais que decorrem da sua atividade, ao nível do solo, da água e da qualidade do ar, para salvaguarda do ambiente e da saúde das populações residentes no perímetro de influência.

No entanto, atualmente, cerca de 71 % da Produção de Energia Elétrica resulta da queima de combustível fóssil, pelo que a EDA acompanha regularmente a atividade das suas centrais térmicas, através da monitorização dos efluentes gasosos, dos efluentes líquidos e do ruído laboral e ambiental, com a consequente implementação de medidas de tratamento dos gases emitidos e da gestão de descarga de águas residuais e mitigadoras do ruído. Por outro lado, a EDA é obrigada a efetuar a gestão das suas licenças de emissões de gases com efeito de estufa, junto do CELE -Comércio Europeu de Licenças de Emissão, que tem como objetivo a regulação das emissões de gases com efeito de estufa.

Não menos importante, é a referência ao projeto em curso de Implementação do Sistema de Qualidade e Ambiente para todas as Centrais Termoelétricas, cujo desenvolvimento já permitiu a certificação do sistema para a maior Central Termoelétrica da EDA, a Central do Caldeirão.

Nas atividades de Transporte e Distribuição e Comercialização de Energia Elétrica, o modo de atuação reside essencialmente na obrigação do cumprimento da legislação em matéria ambiental, o que por si só é um garante do compromisso ambiental, e nas iniciativas de proteção da Natureza, como sejam por exemplo as ações de diminuição de risco de eletrocussão das aves.

Por último, em termos de medidas, devemos ainda referir que de modo transversal há um cuidado permanente na gestão de resíduos provenientes das diferentes atividades, com separação e encaminhamento para destino final adequado, na contratação de prestadores de serviço certificados, na implementação de planos de segurança internos que visam não só a proteção dos trabalhadores e das instalações, como também a proteção do ambiente, para além da incorporação da preocupação ambiental nas tarefas e ações do dia a dia.

 

Essas condicionam de algum modo a produção de energia?

As medidas de proteção ambiental implementadas não condicionam a produção de energia. Essas medidas, para além de terem um caráter de conservação da natureza, permitindo a preservação do quadro natural e paisagístico dos Açores, também contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos utilizados, com consequente diminuição do desperdício. A política da EDA assenta no princípio de ”Fornecer energia elétrica com continuidade e com as melhores características técnicas e prestar um serviço que corresponda às expetativas dos clientes, ao menor custo e com respeito pelo património ambiental e cultural dos Açores”.

 

Por quê, na vossa opinião, proteger o ambiente? Para seguir as leis referentes a essa temática ou devido a uma consciencialização de dever para com o ambiente, para com a saúde das pessoas e o futuro de novas gerações?

A vida é viável no planeta com determinadas condições ambientais. Por isso a preservação do ambiente é vital. É vital hoje e vital para o futuro. Não é uma questão da energia, é também da energia. Este entendimento deve ser global. A EDA sobre essa matéria não tem dúvidas.

Um dos fatores com maior relevância nos problemas ambientais decorrentes do uso da energia é o recurso a combustíveis fósseis, quer seja para a produção de eletricidade, como é o nosso caso, quer no setor dos transportes, com grande impacto para o ambiente, quer para a indústria em geral. A energia é essencial para todas as atividades e em particular para a qualidade de vida da sociedade.

A questão energética influencia diretamente o desenvolvimento e o meio ambiente. Não se pode privilegiar o primeiro provocando drásticos impactos no segundo. É nisso que se fundamenta o conceito de desenvolvimento sustentável, que defende não só a qualidade de vida atual, mas também a herança a ser deixada para as gerações futuras, propondo a proteção e a manutenção dos sistemas naturais. É com base nesse princípio que a EDA orienta a sua atividade, sempre e em primeiro lugar com respeito pelo ambiente e saúde da sociedade e, de seguida, com respeito aos requisitos de lei.

 

Em termos técnicos, como a poupança de energia pode proteger o ambiente? Como a empresa chama a atenção dos seus clientes para a importância do cuidado com gastos desnecessários de energia? Promovem campanhas?

A utilização eficiente de energia é uma prática amiga do ambiente, pois quanto maior for a racionalidade no uso de um recurso, menos pressão exercemos sobre o ambiente. A EDA está atenta a estas questões e dá o seu contributo à sociedade promovendo campanhas de sensibilização, que ajudam os nossos clientes a preservar o meio ambiente se utilizarem a energia elétrica de forma eficiente, pois na impossibilidade de eliminarmos a nossa “pegada ecológica” do planeta, pelo menos tentamos minimizá-la, permitindo uma melhor gestão dos recursos naturais, contribuindo também para uma poupança na fatura de eletricidade. Para isso, a EDA recorre a folhetos e inclui informação ambiental na própria fatura de eletricidade.

Nesta análise, podemos ir mais longe e afirmar o interesse da EDA do ponto de vista estritamente financeiro.

A gestão eficiente do consumo de energia elétrica permite atuar ao nível dos diagramas de carga[2], transferindo-se consumos de um período horário para outro com maior interesse do ponto de vista da empresa, evitando-se ou adiando-se necessidades de investimento em potência térmica a instalar para ser utilizada apenas em poucas horas de um dia e, por essa razão, sem grande proveito económico.

A oferta de tarifas bi-horária e tri-horária são um incentivo à transferência do consumo de energia elétrica por parte dos clientes para as horas onde o consumo global é menor, permitindo assim, através de um incentivo financeiro, otimizar a utilização de energia renovável (geotérmica, hídrica e eólica), baixando desta forma o impacte ambiental destas atividades.

 

Desde implantadas as medidas na pergunta 1., que maiores diferenças poderão ser apontadas?

Em primeiro lugar apontamos claramente a redução de riscos ambientais e, em segundo, a redução de custo através da eliminação de desperdícios, obtida com uma análise cuidadosa do uso da água, energia e geração de resíduos. Todos estes benefícios melhoraram a imagem e o valor da organização perante os parceiros de negócios e seus clientes.

 

Estarão  as pessoas conscientes do seu papel no trabalho de proteção do ambiente e regularização do consumo de energia?

Referindo-nos apenas aos trabalhadores da EDA julgamos poder afirmar que existe uma consciência coletiva do impacto das suas atividades no ambiente, julgamos igualmente que estamos despertos para dar o nosso contributo nas ações de melhoria ambiental, sendo para isso importante a formação permanente dos nossos trabalhadores e sensibilização junto dos nossos colaboradores mais próximos e fornecedores. Compete à EDA promover junto da sociedade essa preocupação ambiental o que, de certa forma, julgamos ter conseguido, visto que as pessoas cada vez mais se encontram despertas para os problemas ambientais e isso nota-se numa utilização mais consciente da energia elétrica.

 

A EDA  planeia para o futuro por em vigor mais destas políticas?

Este será um trabalho nunca acabado. O futuro é algo que construímos todos os dias, assim temos o dever de promover o desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento economicamente eficaz, socialmente equitativo e ecologicamente sustentável. A adoção destas medidas também depende da evolução tecnológica, área que a EDA acompanha atentamente.

 

Como caracterizaria o estado do ambiente, de momento, nos Açores?

A EDA não dispõe de elementos que lhe permita avaliar o estado do ambiente nos Açores. Somos um player, não temos qualquer autoridade sobre esta matéria. No entanto, procuramos estar atentos e de um modo geral julgamos que os Açores têm feito uma grande caminhada nestas matérias, como em quase tudo. Os Açores sofreram um atraso estrutural que obrigou, e obriga ainda, a um esforço acrescido promovendo-se uma maior sensibilizaçãojunto das empresas e da população.

Os Açores são fortemente marcados e reconhecidos pela sua Natureza, esse património natural e cultural é um valioso veículo no tratamento das temáticas do ambiente, nomeadamente junto das populações.

Nós na EDA procuramos trabalhar em “Harmonia com a Natureza”, utilizando de forma racional e sustentável os recursos naturais disponíveis.


[1] World Energy Outlook 2012

[2] Registo da potência energética entregue na rede elétrica ao longo das 24 horas de um dia.

 

Imagem: DR

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