FeLV - Alerta! Saúde

Medicina

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Animais
22/01/2012

FeLV

Ameixa the cat

A FeLV é uma imunodeficiência felina, podendo ser comparada à SIDA, nos humanos. Para os gatos, é uma das doenças mais fatais, capaz de terminar precocemente a vida do felino. Assim que é diagnosticada, a esperança média de vida do gato é de imediato reduzida.

 

Este vírus é transmitido através da saliva, sangue e urina. A transmissão direta, de mãe para filho, também é possível. Apesar de o vírus sobreviver pouco tempo no exterior, o veterinário Pedro Câmara adverte: “De forma geral, basta os gatos comerem da mesma malga que é o suficiente para haver contágio”.

dr. Pedro Câmara

Dr.-Pedro-CâmaraOs gatos infetados com FeLV são levados à consulta apresentando um variado leque de sintomas. A persistência das infeções e o ressurgimento recorrente das mesmas é que leva o médico a desconfiar desta doença, fazendo então o despiste. “Se não está a curar é porque há algo no sistema imunitário a funcionar incorretamente. Há um kit específico para se fazer o teste, sendo este através de esfregaço (saliva) ou via sanguínea”, explicou o veterinário.

Como disse o Dr. Pedro Câmara, “na clínica comum, devido ao controlo de custos, não se faz o despiste corriqueiro da doença”. Na ilha de S. Miguel, a incidência desta patologia é baixa, assim os planos de vacinação são mais moderados, devido às suas consequências: surgimento de tumores decorrentes da vacina.

 

Segundo o Dr. Pedro Câmara, a FeLV pode equivaler a 15% dos casos que vão surgindo, porém “muitos desses animais têm outras origens que não aqui. Nesta ilha a transmissão do vírus não é muito recorrente. Na maioria dos animais, suspeitamos que tenham trazido a doença de fora”.

O veterinário lembra que “se a doença tem num determinado local uma incidência muito baixa não se deve arriscar a vacina. Se a incidência for elevada, aí os benefícios são superiores ao risco, porque aumentam a esperança média de vida dos gatos. E porque só 15% é que poderá manifestar o surgimento de tumores decorrentes da vacinação”.

Em locais com incidência baixa acaba por haver um controlo natural da transmissão da doença: estes animais vivem isolados, falecem precocemente, e o ciclo de contágio reduz-se.

A qualidade de vida do gato, pós o diagnóstico, é relativa, estando dependente da sua estrutura genética, do fato de ter sido saudável ou não até ao momento, dos órgãos afetados e da própria medicação com os respetivos efeitos secundários contendidos. No entanto, quanto mais precocemente for detetada a presença do retrovírus no organismo do gato mais probabilidades o animal terá de viver mais e com qualidade de vida.

A doença pode manifestar-se após o gato ser infetado, 4 a 8 semanas depois de ser inoculado pelo vírus. Porém, habitualmente até aos 3 anos de idade não surge sintomatologia nenhuma.

Esta doença destrói o sistema imunitário propiciando um leque muito variado de infeções, assim o médico não associa de imediato os sintomas a uma imunodeficiência, “inicialmente vamos tratar consoante o sintoma da doença que está a surgir, se for periodontite (inflamação da zona óssea à volta dos dentes) tratamos essa infeção. Só que volta a reincidir e torna-se num ciclo vicioso. As recaídas levam a que tenhamos mesmo de fazer o despiste de doenças relacionadas com o sistema imunitário”, explicou o veterinário.

Como referido, por volta dos 3 anos de idade é que há a grande manifestação do vírus, o qual se pode manifestar através de em gengivites, conjuntivites, queratites, infeções no trato respiratório, mesmo o inferior, renites crónicas, linfadenites (inchaço geral de todos os gânglios), diarreia persistente. Pode mesmo aparecer o complexo do fibrossarcoma sem a vacina associada, o próprio vírus pode despoletá-lo, em casos em que o timo (glândula) seja atacado e destruído.

Anemia também é comum, pois a medula óssea também é alvo do retrovírus.

O quadro clínico é representado normalmente pelo surgimento de duas ou três dessas doenças, que voltam sempre a ressurgir.

Podem nascer tumores no gato infetado até aos 3 ou 4 anos de idade devido ao crescimento dos tecidos, nessa fase mais suscetíveis a alterações a nível da multiplicação celular. “O tumor mais comum é o fibrossarcoma, tem como célula alvo o fibrócito e as células musculares. De forma geral, não é assim tão comum o seu surgimento. A nível de vacinação, administramos uma vacina com versão do vírus ligeiramente inativado, mas parte dos gatos pode desenvolver o fibrossarcoma depois dos 8 anos de idade.

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A duração da esperança média de vida subordina-se sempre à quantidade e gravidade destas patologias secundárias. Quanto mais cedo for diagnosticado, mais hipóteses há de prolongar a vida com qualidade do gato.

Como tratamento, controla-se a sintomatologia secundária, pois a causa dos sintomas e infeções – a FeLV – não tem cura. Como explicou o médico “recorre-se ao tratamento paliativo com imunomodeladores, que são estimuladores do sistema imunitário para fortalecê-lo e complementá-lo com determinadas vitaminas. Igualmente importante é uma alimentação mais equilibrada, o isolamento do gato de fatores que possam ser condicionantes para o surgimento de infeções nomeadamente as intestinais e as respiratórias. O ambiente deve ser controlado para que não hajam grandes amplitudes térmicas e o gato não pode tomar banho para que não seja sujeito às diferenças térmicas que o banho envolve e deve estar em total isolamento total dos animais da casa. As infeções secundárias totais são sempre controladas pelos antibióticos”.

Quanto ao isolamento do animal doente, por os gatos serem animais solitários torna-se mais fácil fazê-lo.

Contudo, “quando habituados a um grupo muito grande podem se ressentir. Se houver alteração de comportamento por estar isolado, hoje em dia pode recorrer-se a terapias medicamentosas para controlar os níveis de ansiedade do gato. Ao expor outros ao gato doente há uma grande probabilidade de contágio!”, alertou o Dr. Pedro Câmara.

Este vírus não é transmissível às pessoas. Ainda assim, o veterinário ressalva que mesmo que a doença não seja contagiosa para os humanos há que ter cuidado com a higiene e manipulação do animal infetado, pois a qualquer momento o vírus poderá fazer uma mutação que favoreça a transmissão. No entanto, até à data não há estudos que atestem que o vírus responsável pela FeLV seja perigoso para os donos dos animais.

O veterinário Pedro Câmara recorda casos de três gatos com FeLV, trazidos do Continente onde a doença tem maior expressão. “Esses gatos fizeram infeções muito graves, estiveram em tratamentos durante cerca de 2 ou 3 meses e a sua reação era muito ténue. As recaídas eram muito seguidas, tinham alta e 2 ou 3 semanas depois voltavam a adoecer. De modo geral, os donos recorreram à eutanásia porque viam que os seus animais não tinham mesmo qualidade de vida”.

 

Precauções

Se vive numa zona em que a incidência da doença é elevada, requisite o despiste da FeLV e recorra à vacinação.

De qualquer modo, para melhor proteger o seu gato, tente controlar o seu comportamento através da castração. Para o macho, a castração é essencial para diminuir lutas e assim a transmissão em áreas em que a doença exista. Para as fêmeas a castração é analogamente importante, pois quando ela sai para acasalar é mordida pelo macho no ato de cópula e o vírus transmite-se.

No que respeita à vacinação, sendo feita há que ter os cuidados de vigilância adequados, na consulta anual vigie o surgimento de alguma reação ou alteração. O fibrossarcoma que surge em decorrência da vacina, apesar de altamente invasivo, é passível de ser removido cirurgicamente. Numa fase mais avançada é possível optar pela quimioterapia.

“Mas infelizmente os gatos reagem mal à quimioterapia. Devido aos próprios tratamentos e a muitas vindas à clínica, o stress a que o animal fica sujeito é ainda mais debilitante. Se o gato sofrer de uma imunodepressão ainda se causa mais danos ao animal, a remoção cirúrgica é melhor”.

 

 A FeLV, ou Leucose felina, é uma virose – causada pelo retrovírus – que ataca o sistema imunitário, hemático e linfático do gato. É nestes sistemas que o vírus processa a sua multiplicação, provocando a destruição quase total das defesas do animal. 

A designação Leucose advém da destruição das células-alvo que serão destruídas: os leucócitos. Para além de incidir nas células de linha branca (macrófagos e nefrócitos), pode também multiplicar-se em todo o sistema linfático.

 

Texto e imagem: Alerta! Saúde

 

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