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Animais
12/10/2011

Hiperplasia da próstata

A Hiperplasia da próstata trata-se de uma alteração da função da próstata, que se pode dever desde à alteração da drenagem da própria glândula, como ao aparecimento de uma infeção. É uma doença benigna e não está relacionada com o tumor prostático.

Esta infeção pode acontecer por refluxo, visto que está ligada à uretra, e esta última pode fazer refluxo de bactérias para a glândula prostática, originando uma infeção. A glândula, como resposta, aumenta o seu tamanho. É precisamente designada hiperplasia por aumentar muito o seu tamanho, chegando a atingir mesmo até 10 a 20 vezes para além da sua dimensão normal e é esta situação que propicia o aparecimento dos sintomas.

Na ilha de S. Miguel, a Hiperplasia da próstata, de causa primária, corresponde por ano a 15% do total dos casos de doença nos cães.

dr. Pedro Câmara

Pedro Câmara

 

A função da próstata é produzir um liquido que ajuda a nutrir os espermatozoides, para que estes consigam sobreviver a realizar a fecundação. Como explicou o veterinário Pedro Câmara, “a próstata ativa-se em média a partir dos 8 meses. Ao longo da vida mantém as suas funções normais a não ser que surjam alterações patológicas na glândula. A grande população de cães vai manter a sua fecundidade até ao fim da vida”.

Quanto aos sintomas desta doença, o médico refere que os iniciais são difíceis de detetar. Como disse, “ocasionalmente o cão tem cólicas e ligeira dor a urinar. Quando a próstata atinge um tamanho já considerável, começa a surgir sangue na urina por estrangulamento da própria uretra e retenção de urina na parte da bexiga. O dono nota que o cão tenta urinar e não concretiza, ou se o faz fá-lo com bastante sangue”.

Na defecação também surgem alterações, devido à localização da glândula que se encontra na região final da bacia, abaixo do reto. Se o aumento da próstata for muito, origina compressão e o cão tem dificuldade de igual modo a defecar. “Pode fazê-lo menos vezes e às vezes tenta e não consegue”, mencionou o veterinário.

O referido aumento da glândula não é palpável pelo dono e a sua forma não é detetável, sendo apenas possível observá-lo por toque retal ou raio-X. O cão pode também manifestar perda de apetite, vómito agudo, devido às cólicas, e mostrar-se mais abatido.

O Dr. Pedro Câmara lembra que o único aspeto que se pode correlacionar com esta patologia é a idade do cão, ou seja, a partir dos 6 ou 7 anos de idade torna-se mais suscetível ao seu surgimento.

O diagnóstico é conseguido através da sintomatologia e da descrição que o dono faz do dia-a-dia do seu cão, depois o veterinário realiza um exame fisiológico, em que o toque retal é capital para confirmar a presença de hiperplasia.

No que respeita ao tratamento, se a hiperplasia tiver origem infecciosa, a sua resolução é fácil, conseguida através da medicação apropriada, antibióticos e anti-inflamatórios que normalmente surtem efeito pós 8 dias, 15 dias no máximo. “Cura-se a infeção, os sintomas desaparecem, e o cão volta à sua rotina normal, sem recidivas”, explicou o médico. Se não for tratada a tempo pode modificar a estrutura da glândula, formando um abcesso que vai condicionar a drenagem, tornando-se secundariamente numa hiperplasia benigna devido ao mau funcionamento da próstata.

Se a causa da doença for a alteração da função da própria glândula, com má drenagem e acumulação de líquidos, procede-se a tratamentos hormonais ou à castração. Neste caso poderão haver repercussões para o animal, as recaídas que vai ter serão muitas e o sistema urinário é o que mais vai infetar: “ao fazer retenção de urina, ela própria vai fazer refluxo para a parte dos rins, assim aumenta a susceptibilidade de infetar e falha o próprio rim por má drenagem do sistema urinário”, sublinhou o Dr. Pedro Câmara.

A terapêutica hormonal é sempre a primeira opção, no entanto se o cão não responder a um tratamento com antibióticos, o que também pode depender da idade do animal, é possível que se tenha de proceder à castração. Se se tratar de um cão com 9 anos, por exemplo, avança-se diretamente para a castração. “Ao castrar, ao não haver a suplementação de testosterona à glândula, automaticamente ela fica hipotrofiada e residual, perde a sua função, nunca se volta ativar”, explicou o veterinário.

Se esta doença não for tratada, como alterações secundárias, o cão “deixa de defecar, de urinar, faz infeção, e o que pode condicionar a morte é mesmo a falha dos rins devido ao estrangulamento da uretra e incapacidade de expulsar a urina”, ressalvou o médico.

O sucesso do tratamento é também garantido através do acompanhamento do dono, que se estende desde a verificação da nutrição necessária, até observar de o seu cão está a defecar a urinar com normalidade diariamente. O Dr. Pedro Câmara adverte: “Se houver pequenas alterações é preciso o cão voltar ao médico e ser ajudado a esvaziar a bexiga e fezes, se necessário. Isso numa fase inicial, depois atenta-se à aplicação da medicação”.

De um modo geral, à excepção dos cães castrados, todos contrair esta doença por envelhecimento, independentemente de terem tido boas alimentações ou não. De qualquer modo, o veterinário recorda que “os cuidados alimentares são sempre a base de tudo; e quanto à castração esta não precisa de ser efetuada numa idade muito precoce. Não existe prevenção para esta doença, à parte da castração. Se a alimentação for muito pobre é mais um fator para adoecer, mas não é determinante”.

 

Texto: Alerta! Saúde
Imagem: DR

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