Hipocondria! - Alerta! Saúde

Medicina

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Reportagens
14/01/2015

Hipocondria!

hipocondria
Entrevistada: Psicóloga clínica Lissa Figueiredo
Texto: Alerta! Saúde
Imagem: DR

Está mesmo doente ou pensa que está?

A hipocondria é uma doença do foro psicológico que se caracteriza pelo medo persistente de ter uma doença grave. As pessoas que sofrem deste distúrbio tendem a interpretar sensações normais, funções corporais e sintomas leves, como um sinal de uma outra doença. Estas pessoas podem ainda mostrar-se especialmente interessadas num sistema ou órgão em particular, como os sistemas cardiovascular ou digestivo. A prevalência da hipocondria é de 4 a 5% dos pacientes na prática médica. Esta patologia pode ocorrer em qualquer idade, tanto em homens como em mulheres. A psicóloga Lissa Figueiredo fala-nos sobre esta doença. Começando por apontar alguns sintomas passíveis de denunciar a presença desta perturbação psicológica. Ao haver uma preocupação e medo permanentes de ter uma doença grave, interpretando erradamente sintomas do seu corpo, mesmo que o paciente confie no seu médico, não se verificando delírio, psicose ou depressão clínica (visto que estas podem indicar esquizofrenia), podemos estar efetivamente perante um caso de hipocondria. Pessoas com esta desordem podem mesmo “admitir a possibilidade dos seus medos serem exagerados”, contudo não conseguem controlar a sua preocupação com a sua saúde, sempre com a suspeita de terem algo pior. transferir Sintomas de outras condições clínicas podem surgir ligados a esta patologia. Como explicou a psicóloga, “é frequente aparecer associado a este quadro clínico perturbações de ansiedade e/ou depressivas, nomeadamente dificuldades ao nível do sono, da alimentação, concentração, taquicardia, dificuldades respiratórias, entre outras”. De qualquer modo, é sempre importante considerar um diagnóstico diferencial, bem como outros sintomas. Esta condição desenvolve-se ao longo da vida, começando com frequência no adulto jovem e podendo prolongar-se por muitos anos. Como esclareceu a psicóloga, “embora ainda haja muito por esclarecer no que concerne à etiologia desta doença, sabe-se que algumas pessoas com este distúrbio tiveram uma doença grave no passado, particularmente na infância. Eventos de vida stressantes, como a morte de um familiar, podem intensificar os sintomas”. Atendendo ao fato de estes pacientes estarem convictos de que estão verdadeiramente doentes, mesmo sem diagnóstico médico que o comprove, será possível de algum modo fazê-los entender que não estão? Na opinião da psicóloga, “numa fase inicial o hipocondríaco, no máximo, admite que os seus medos possam ser exagerados, contudo acredita profundamente que está gravemente doente”, continuando assim a procurar uma outra resposta médica, o que o leva a alternar de doença por não confiar na resposta que obtém, “se os exames médicos não comprovam a suspeita que tem inicialmente, então é porque afinal sofre de outra doença ainda não devidamente explorada”. Para uma pessoa com hipocondria recorrer a ajuda médica frequentemente torna-se imperativo, “é nas idas ao hospital e nas consultas que conseguem fazer com que a sua ansiedade diminua, contudo, esta ansiedade torna a aparecer porque acreditam ou que não foram devidamente atendidos, ou então sofrem de outro problema que não aquele pela qual foram avaliados”, explicou a psicóloga. Porém, apesar de a ansiedade diminuir, a perturbação mantém-se e perdura, levando a um ciclo vicioso que balança entre a suspeita e a procura de uma resposta que prove um outro resultado. “Nestes casos, a intervenção psicológica tem mais efeitos terapêuticos, uma vez que não existe uma doença real”, faz questão de sublinhar a Dra. Lissa Figueiredo. O sofrimento psicológico associado à hipocondria acarreta repercussões para a vida quotidiana, podendo perturbar “o funcionamento familiar, social e profissional, bem como no padrão de utilização dos cuidados de saúde, porque a saúde passa a ser um tema central da vida deles e uma preocupação constante”, referenciou a psicóloga. Para além destes distúrbios, surgem também sintomas de ansiedade e depressão capazes de por si só abalar a vida de um hipocondríaco.

Hipocondria

O diagnóstico da hipocondria normalmente é feito pelo clínico geral, baseado nas queixas de saúde da pessoa, na sua história médica e no exame físico, além dos exames complementares, depois é geralmente confirmado pelo psiquiatra ou psicólogo, embora o paciente se possa recusar a iniciar o tratamento psiquiátrico ou psicológico. “O tratamento da hipocondria é complexo, uma vez que não existe uma abordagem padrão definida como a mais eficaz”, lembrou a Dra. Lissa Figueiredo. O sucesso terapêutico está dependente da personalidade, atitude e características clínicas do paciente, sendo fundamental recorrer a uma terapia individualizada em detrimento de uma generalizada. Os sintomas da hipocondria podem ser aliviados por um anti-depressivo, mesmo que não exista nenhuma outra doença psiquiátrica e, tendo em conta que não há uma doença real, a terapia cognitiva comportamental mostra-se muito eficaz nestes casos. Os sinais a ter em atenção perante um possível caso de hipocondria são idas ao médico frequentes, queixas de saúde constantes e uma mudança entre várias doenças, nunca reconhecidas por um médico. Se se sente assim, ou se tem algum familiar ou amigo com estes sintomas, deve procurar ajuda para hipocondria, e não para outra doença. Uma terapia adequada pode ajudá-lo a melhorar consideravelmente a sua qualidade de vida.   Terapias cognitivo-comportamentais são uma junção de técnicas cognitivas com técnicas comportamentais, ou seja pretendem trabalhar tanto ao nível cognitivo (mente/pensamento) como ao nível dos comportamentos e esta terapia conjunta tem-se mostrado muito benéfica em vários transtornos como a depressão, ansiedade e também hipocondria.  

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