Racismo! - Alerta! Saúde

Medicina

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Intervenção Social
14/01/2015

Racismo!

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Entrevistada: Psicóloga clínica Lissa Figueiredo
Texto: Alerta! Saúde
Imagem: DR

Racismo: Não!

 

O racismo é uma forma de pensar onde prevalece a ideia de existirem raças humanas, diferentes e superiores em relação às outras.

São opiniões pré-concebidas, onde são valorizadas determinadas características biológicas de uma raça em prol de outra raça diferente. Estas crenças levam por conseguinte a diferentes formas de discriminação.

O racismo varia de país para país, consoante a sua história, cultura e outros fatores sociais, contudo não há nenhuma prova científica da existência de raças diferentes. A biologia só identificou uma raça: a raça humana.

Na opinião da psicóloga clínica Lissa Figueiredo, o histórico familiar é o contexto privilegiado para uma criança adquirir formas de pensar e de como se comportar.

Como disse, “se numa família há um progenitor racista, a probabilidade daquela criança também o vir a ser é maior do que numa família em que nenhum dos progenitores o é. A criança cresce habituando-se a ouvir discursos e crenças de superioridade de pessoas em prol de outras e vai tender a defender a teoria que habitualmente lhe foi transmitida”.

A causa de comportamentos racistas difere entre países e culturas, pois relaciona-se com questões culturais.

A psicóloga exemplifica: “No Brasil os negros eram trazidos da África e mantidos como escravos. Desta forma associado  a questões históricas e culturais ser negro era símbolo de escravidão, por outro lado,  ser português era símbolo de superioridade, uma raça superior à raça negra”.

Atualmente acredita-se que as crianças não são racistas, vêm todos como iguais. Contudo, com o tempo assimilam junto dos adultos, que lhe servem de referência, a ideia de existirem pessoas superiores a outras.

Porem é dentro da própria vítima que o pior acontece. Estas pessoas são normalmente retraídas, inseguras, com baixa autoestima. Correm o risco de desenvolverem perturbações depressivas ou de ansiedade, por pensarem que não são parte integrante de uma sociedade ou que não correspondem aos padrões dessa mesma sociedade.

Para além destes aspetos, poderão também surgir consequências laborais e de socialização.

“Existem estudos que defendem que mulheres negras estão mais sujeitas ao desemprego e a trabalhos precários”, referiu Lissa Figueiredo.

Na opinião da psicóloga Lissa Figueiredo, presentemente as pessoas que mais sofrem com a discriminação serão os negros, os homossexuais, os toxicodependentes e os sem-abrigo. Sendo também a religião por vezes motivo de discriminação.

Porém nunca se esqueça de que o racismo é crime! A psicóloga salienta que “cabe a cada um de nós fazer a nossa parte e evitar a perpetuação de comportamentos discriminatórios”.

Hoje em dia já existem associações que apoiam as vítimas deste tipo de crimes. Como alerta a psicóloga, “é importante que as pessoas que se sentem discriminadas procurem o apoio deste tipo de associações e de técnicos, quando a discriminação de que são alvo começa a comprometer o seu bem-estar psíquico, físico e profissional”.

E é igualmente importante denunciar este crime. Em Portugal, o racismo configura um crime, que se encontra previsto no código penal Português.

Segundo Lissa Figueiredo, apesar de toda a evolução social de que as sociedades modernas são alvo, continuam a existir comportamentos discriminatórios, “quer pela perpetuação da discriminação que vem do passado, quer pela variabilidade populacional das nossas comunidades”, afirmou.

É cada vez mais comum que as pessoas tentem marcar a sua singularidade e individualidade, fugindo assim ao que está padronizado pela sociedade. Este é um fator que leva à manutenção de comportamentos discriminatórios.

“É importante não esquecer que a própria evolução pressupõe mudanças que fogem à normalidade, só assim é que progredimos, por vezes ao longo do processo discrimina-se mas depois aceita-se”, explicou a psicóloga clínica.

Contudo, esta psicóloga acredita que este tipo de comportamentos discriminatórios vai sempre existir, apesar de os alvos e a forma de disseminação possam mudar.

“Com o surgimento de novas tecnologias, acredito que muita discriminação seja perpetuada através da Internet, por exemplo. Esta aumenta o anonimato, o que permite disseminar ideias de superioridade de raças. Relativamente ao alvo de discriminação, acho que poderá haver ao longo do tempo variações. Ao longo da nossa evolução também pudemos verificar o surgimento de pessoas que só mais recentemente (comparando com a discriminação aos negros) começam a ser incorporadas nos grupos minoritários, que é o caso dos homossexuais e toxicodependentes”.

A informação desempenha um papel dinâmico nesta luta. É essencial educar e informar as crianças de que todas as pessoas são iguais independentemente da sua cor, orientação sexual, religião, ou outros aspetos diferenciadores.

Os agressores devem ser punidos e as vítimas protegidas e apoiadas por técnicos, associações e por todos nós!

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