
A policitemia vera é uma doença rara da medula óssea caracterizada pela produção excessiva de células do sangue, principalmente hemácias (glóbulos vermelhos). Esse aumento torna o sangue mais espesso, dificultando sua circulação e elevando o risco de tromboses, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.
Embora seja considerada um tipo de câncer hematológico de evolução lenta, muitas pessoas convivem com a doença por anos quando recebem acompanhamento adequado e iniciam o tratamento precocemente.
Neste artigo você entenderá o que é a policitemia vera, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.
O que é policitemia vera?
A policitemia vera pertence ao grupo das neoplasias mieloproliferativas, doenças em que a medula óssea passa a produzir células sanguíneas de forma descontrolada.
Na maioria dos casos, a doença está relacionada à mutação do gene JAK2, presente em aproximadamente 95% dos pacientes. Essa alteração faz com que a medula produza hemácias mesmo sem necessidade do organismo.
Além das hemácias, alguns pacientes também apresentam aumento dos leucócitos e das plaquetas.
Quais são os sintomas?
Os sintomas podem surgir lentamente e, em alguns casos, a doença é descoberta apenas durante exames de rotina.
Os sinais mais comuns incluem:
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Dor de cabeça frequente.
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Tontura.
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Cansaço.
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Visão embaçada.
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Vermelhidão no rosto.
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Coceira intensa após banho quente.
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Sensação de queimação nas mãos e nos pés.
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Formigamentos.
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Sangramentos pelo nariz ou gengivas.
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Aumento do baço.
Em situações mais graves, podem ocorrer:
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Trombose venosa.
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AVC.
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Infarto.
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Embolia pulmonar.
Quem tem maior risco?
A policitemia vera pode acometer adultos de qualquer idade, mas é mais frequente:
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Após os 60 anos.
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Em homens, embora mulheres também possam desenvolver a doença.
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Em pessoas com mutação adquirida no gene JAK2.
A doença não costuma ser hereditária.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais.
Entre os principais exames estão:
Hemograma
Normalmente apresenta:
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Hemoglobina elevada.
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Hematócrito elevado.
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Aumento do número de hemácias.
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Em alguns casos, aumento de leucócitos e plaquetas.
Eritropoetina (EPO)
Geralmente apresenta níveis reduzidos.
Pesquisa da mutação JAK2
É um dos exames mais importantes para confirmar a doença.
Biópsia da medula óssea
Pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras doenças hematológicas.
Qual a diferença entre policitemia vera e policitemia secundária?
Essa é uma dúvida muito comum.
Na policitemia vera, a produção aumentada de hemácias acontece por uma alteração da medula óssea.
Já na policitemia secundária, o organismo produz mais hemácias em resposta à falta de oxigênio ou ao aumento da eritropoetina, podendo ocorrer em situações como:
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Tabagismo.
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Apneia do sono.
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Doenças pulmonares.
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Permanência em grandes altitudes.
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Alguns tumores produtores de eritropoetina.
O tratamento depende da causa.
Como é o tratamento?
O objetivo do tratamento é reduzir a viscosidade do sangue e diminuir o risco de trombose.
As principais opções incluem:
Flebotomia
Consiste na retirada periódica de sangue para reduzir o hematócrito.
É um dos tratamentos mais utilizados.
Ácido acetilsalicílico (AAS)
Em baixas doses, ajuda a reduzir o risco de formação de coágulos quando indicado pelo médico.
Medicamentos citorredutores
Pacientes de maior risco podem necessitar de medicamentos como:
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Hidroxiureia.
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Interferon peguilado.
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Ruxolitinibe, em situações específicas.
A escolha depende da idade, histórico de trombose e características individuais do paciente.
Quais complicações podem ocorrer?
Sem tratamento adequado, a policitemia vera pode causar:
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AVC.
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Infarto do miocárdio.
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Trombose venosa profunda.
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Embolia pulmonar.
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Sangramentos.
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Aumento importante do baço.
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Evolução para mielofibrose.
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Em casos raros, transformação para leucemia aguda.
Por isso, o acompanhamento com um hematologista é fundamental.
É possível viver bem com policitemia vera?
Sim.
Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento regular, muitos pacientes apresentam boa qualidade de vida durante décadas.
O controle dos fatores de risco cardiovasculares, abandono do cigarro, prática de atividade física e seguimento médico ajudam a reduzir significativamente as complicações.
Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação médica caso apresente:
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Hematócrito persistentemente elevado.
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Hemoglobina muito acima do valor de referência.
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Episódios repetidos de trombose.
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Coceira intensa após banho quente.
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Vermelhidão persistente da pele.
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Dor de cabeça frequente sem causa aparente.
Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações graves.
Em Síntese
A policitemia vera é uma doença hematológica rara, mas potencialmente grave quando não tratada. O aumento da produção de células sanguíneas torna o sangue mais espesso e favorece eventos trombóticos que podem colocar a vida em risco.
Felizmente, exames laboratoriais, testes genéticos e acompanhamento especializado permitem o diagnóstico precoce e um tratamento eficaz, proporcionando qualidade de vida e redução significativa das complicações.
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Fontes
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Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia
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World Health Organization
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National Comprehensive Cancer Network
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National Cancer Institute
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Leukemia & Lymphoma Society