Exames e diagnóstico

Coleta de sangue: principais problemas e como evitar resultados comprometidos

Publicado em 05/10/2026
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Hemólise, coágulos, identificação incorreta e outros cuidados ajudam a entender por que alguns exames precisam de uma nova coleta.

A qualidade de um exame de sangue começa antes de a amostra chegar ao equipamento. A identificação do paciente, o preparo, a coleta e o transporte influenciam a segurança do resultado.

Por isso, coletar sangue envolve muito mais do que encontrar uma veia. Uma falha em qualquer etapa pode causar desconforto, atrasar o atendimento ou comprometer informações usadas para decidir um tratamento. A Organização Mundial da Saúde destaca que cada etapa da coleta interfere na qualidade da amostra e na segurança do paciente.

Mas quais são os principais problemas na coleta de sangue laboratorial? Entenda o que pode acontecer e como reduzir esses riscos.

1. Identificação incorreta do paciente ou da amostra

Uma amostra pode estar bem coletada e, mesmo assim, ser insegura se estiver identificada com os dados de outra pessoa.

Nomes semelhantes, etiquetas trocadas e informações divergentes entre o pedido e o tubo precisam ser tratados com atenção. Conferir pelo menos dois identificadores, como nome completo e data de nascimento, ajuda a evitar essas situações.

O paciente também pode participar dessa conferência, informando seus dados quando solicitado. Quando a identificação é insuficiente ou inconsistente, uma nova amostra pode ser necessária.

2. Preparo inadequado antes do exame

As orientações de preparo variam conforme o exame. Jejum, horário da coleta, atividade física e uso de medicamentos podem ser relevantes para a interpretação de determinados resultados.

Nem todo exame exige jejum, e o tempo necessário não é igual para todos. O mais adequado é confirmar as instruções com o laboratório antes de comparecer.

Também é importante informar os medicamentos e suplementos utilizados. Não suspenda um tratamento por conta própria para fazer um exame.

Se alguma orientação não foi seguida, avise a equipe. Essa informação permite avaliar se a coleta pode ser realizada ou se precisa ser reagendada.

3. Hemólise: quando as hemácias se rompem

A hemólise acontece quando as hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos, se rompem e liberam seu conteúdo na amostra.

Ela pode ocorrer durante a coleta, o manuseio ou o transporte. Aspiração ou transferência muito forçada do sangue e agitação intensa dos tubos estão entre as situações que podem favorecê-la.

A hemólise pode interferir em diferentes exames, inclusive provocar uma elevação artificial do potássio. O efeito depende do grau de hemólise e do método utilizado.

Uma amostra hemolisada não torna automaticamente todos os exames inválidos. O laboratório precisa avaliar quais análises foram afetadas e se é necessário solicitar uma nova coleta. Há exames com critérios específicos de rejeição por hemólise, como exemplifica o catálogo do Mayo Clinic Laboratories para bicarbonato sérico.

Além disso, nem toda hemólise significa falha na coleta. Em algumas situações, a destruição das hemácias acontece no próprio organismo e precisa de investigação clínica.

4. Coágulos em tubos com anticoagulante

Alguns exames precisam de sangue que permaneça sem coagular. É o caso do hemograma, normalmente realizado em tubo com EDTA.

Quando o sangue não se mistura adequadamente ao anticoagulante, podem surgir coágulos. Eles podem prender células e comprometer as contagens, tornando a amostra inadequada para o exame.

A mistura deve ser feita com movimentos suaves de inversão, seguindo as instruções do fabricante e o procedimento do laboratório. Sacudir o tubo com força não substitui esse cuidado e pode favorecer hemólise.

Também é importante diferenciar as situações: a formação de coágulo é esperada nos tubos destinados à obtenção de soro. O problema é a coagulação em uma amostra que deveria permanecer anticoagulada.

5. Volume insuficiente de sangue

Cada exame exige uma quantidade adequada de amostra. Um volume muito pequeno pode impedir a análise ou limitar a realização de repetições necessárias.

Nos tubos com anticoagulante, o preenchimento também influencia a proporção entre sangue e aditivo. Esse cuidado é especialmente importante nos tubos com citrato usados em exames de coagulação, como TAP e TTPa.

Por isso, a marca de preenchimento do tubo deve ser respeitada. O volume necessário depende do material e do exame solicitado.

Na hemocultura, que investiga microrganismos no sangue, o volume insuficiente também pode reduzir a possibilidade de detectar uma infecção.

6. Uso do tubo errado

Os tubos de coleta têm funções diferentes. Alguns contêm anticoagulantes; outros permitem a coagulação ou possuem aditivos específicos.

Usar um tubo incompatível com o exame pode comprometer a análise e exigir recoleta. A escolha precisa considerar o tipo de amostra solicitado, o aditivo e as instruções do método.

A cor da tampa ajuda na identificação, mas deve ser conferida junto com as informações do tubo. A sequência de coleta também deve seguir o procedimento adotado pelo laboratório para reduzir o risco de transferência de aditivos entre os materiais.

7. Garrote prolongado e movimentos repetidos da mão

O garrote facilita a visualização das veias, mas mantê-lo por tempo excessivo pode alterar a concentração de algumas substâncias na amostra.

Pedir ao paciente que abra e feche a mão repetidamente também pode interferir em determinados resultados, especialmente no potássio.

A equipe deve controlar o uso do garrote e orientar o posicionamento da mão conforme a técnica de coleta. Esses cuidados ajudam a obter uma amostra que represente melhor as condições do paciente.

8. Contaminação da amostra

A contaminação pode acontecer de diferentes formas. Uma delas é a mistura do sangue com soluções ou medicamentos administrados por um acesso venoso.

Coletar próximo a uma infusão, sem os cuidados previstos no protocolo, pode produzir resultados que não representam o sangue circulante do paciente.

Outro exemplo ocorre na hemocultura: microrganismos da pele podem entrar no frasco e gerar um resultado falso positivo. Isso pode levar ao uso desnecessário de antibióticos e prolongar a internação, segundo o CDC.

A prevenção exige técnica adequada, antissepsia e respeito aos procedimentos específicos de cada coleta.

9. Demora ou condições inadequadas no transporte

O cuidado com a amostra continua depois da retirada da agulha.

Tempo, temperatura, exposição à luz e processamento precisam seguir as exigências de cada exame. Não existe uma única condição de armazenamento adequada para todos os materiais.

Algumas amostras precisam de processamento rápido. Outras exigem refrigeração ou proteção da luz. Essas condições fazem parte das instruções específicas de coleta e conservação.

Por isso, uma amostra aparentemente normal também pode estar comprometida. A aparência, sozinha, não garante sua qualidade.

10. Hematoma, dor e mal-estar durante a coleta

Os problemas da coleta não se limitam aos tubos. O paciente pode apresentar hematoma, dor, tontura ou desmaio.

Veias difíceis de acessar podem exigir uma avaliação mais cuidadosa. Depois da retirada da agulha, a compressão adequada do local ajuda a reduzir o sangramento e a formação de hematoma.

Avise antes da coleta se você costuma desmaiar, utiliza anticoagulantes ou já teve dificuldades em procedimentos anteriores.

Durante o atendimento, comunique imediatamente dor intensa, sensação de choque, formigamento ou mal-estar. Esses sintomas precisam ser avaliados pela equipe.

Quando uma nova coleta é necessária?

A recoleta pode ser indicada quando a amostra não permite um resultado confiável. Isso pode ocorrer por identificação inconsistente, tubo inadequado, volume insuficiente, coágulos, hemólise relevante ou condições inadequadas de conservação.

A decisão depende do exame, do método e dos critérios do laboratório.

Pedir uma nova coleta pode ser uma medida de proteção ao paciente. Liberar um resultado comprometido pode levar a uma interpretação equivocada e influenciar decisões sobre o tratamento.

Isso não elimina a necessidade de investigar o que aconteceu. O laboratório deve explicar o motivo da recoleta e corrigir falhas evitáveis.

Como o paciente pode ajudar?

Antes do exame, confirme as orientações de preparo e informe medicamentos, suplementos e dificuldades em coletas anteriores.

Durante o atendimento, participe da conferência dos seus dados e avise se sentir dor diferente da picada habitual, tontura ou desconforto.

Depois, siga as orientações sobre a compressão do local. Procure avaliação se houver sangramento persistente, dor intensa, inchaço importante ou alteração de sensibilidade.

Para os profissionais, a prevenção passa por treinamento, materiais adequados e cumprimento do Procedimento Operacional Padrão, o POP, de cada laboratório.

Compartilhe este artigo com quem vai fazer exames e com profissionais da saúde. Antes da próxima coleta, confirme o preparo com o laboratório: um resultado confiável começa nos cuidados com a amostra.

Fontes

Organização Mundial da Saúde: diretrizes sobre coleta de sangue e boas práticas em flebotomia. Referência técnica publicada em 2010.

Mayo Clinic Laboratories: coleta e preparo de amostras de sangue. Orientações institucionais sobre identificação, tubos, volume e conservação.

Mayo Clinic Laboratories: bicarbonato sérico. Requisitos de processamento e rejeição por hemólise.

CDC: prevenção da contaminação de hemoculturas em adultos. Página atualizada em 31 de março de 2026.