A infecção no coto umbilical, chamada onfalite, é uma infecção bacteriana que atinge o pedaço do cordão que permanece preso ao umbigo após o nascimento e pode envolver a pele ao redor. Precisa de avaliação rápida porque, no recém-nascido, pode avançar e provocar complicações.
Entenda o que é onfalite, quais alterações no umbigo do recém-nascido exigem atendimento e como cuidar da região com segurança.
Como saber se o coto está cicatrizando normalmente?
Nos primeiros dias, o coto perde umidade, encolhe e escurece até se desprender sozinho. A pele ao redor deve manter aspecto semelhante ao restante da barriga, sem vermelhidão se espalhando.
Algumas gotas de sangue perto da queda podem acontecer. Sangramento contínuo, porém, precisa de avaliação. Se o coto não cair até cerca de três semanas, converse com o pediatra. Nunca puxe para acelerar a queda.
Quais são os sinais de infecção no coto umbilical?
Procure atendimento diante de:
- Pus ou secreção com cheiro desagradável.
- Vermelhidão ao redor do umbigo, principalmente quando aumenta.
- Inchaço, calor ou endurecimento da pele.
- Dor ou choro ao tocar delicadamente a região.
Não espere aparecer febre para buscar ajuda. Alterações locais já justificam avaliação, mesmo quando o bebê parece bem. Uma fotografia ou a cor da secreção, isoladamente, não permite confirmar o diagnóstico.
Quando procurar uma emergência?
Vá imediatamente a uma emergência pediátrica se houver suspeita de infecção acompanhada de dificuldade para mamar, sonolência fora do habitual, pouca reação, irritabilidade intensa, dificuldade para respirar ou temperatura anormal.
Febre no recém-nascido exige avaliação imediata. Temperatura baixa também pode indicar doença. Vermelhidão que se espalha rapidamente pela barriga é outro sinal de alerta.
A onfalite pode evoluir para sepse, uma resposta grave do organismo à infecção, capaz de comprometer o funcionamento dos órgãos. Buscar atendimento cedo reduz o risco de agravamento.
Quais exames podem ser necessários?
A avaliação começa pelo exame do bebê, incluindo umbigo, respiração, temperatura, alimentação e estado geral.
Conforme a suspeita, a equipe pode solicitar:
- Cultura da secreção: procura identificar as bactérias presentes no material coletado.
- Hemocultura: pesquisa bactérias no sangue.
- Exames de inflamação: ajudam a acompanhar o quadro, quando indicados.
A coleta de culturas deve ocorrer antes do antibiótico, quando possível, sem atrasar o tratamento necessário. Nenhum resultado deve ser interpretado sozinho: a proteína C reativa, por exemplo, não deve determinar isoladamente a decisão de iniciar, manter ou suspender antibióticos. A avaliação clínica e a evolução do bebê continuam essenciais.
Como é tratada a infecção no coto umbilical?
O tratamento utiliza antibióticos prescritos pela equipe médica. Pode ser necessária internação para receber medicação pela veia e acompanhamento.
A escolha depende da extensão da infecção e das condições do recém-nascido. Pomadas, receitas caseiras ou limpeza mais frequente não substituem o tratamento. Não use antibióticos por conta própria nem espere o umbigo melhorar sozinho.
Como cuidar do coto umbilical com segurança?
Lave as mãos antes e depois dos cuidados. Mantenha a região limpa e seca, troque fraldas sujas prontamente e dobre a borda da fralda abaixo do coto.
Se houver sujeira, faça a limpeza conforme a orientação recebida na maternidade e seque delicadamente. Não coloque faixas, moedas, pós, ervas ou outras substâncias caseiras.
É preciso usar álcool 70%? Não existe indicação universal para todos os bebês. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta o cuidado limpo e seco para nascimentos hospitalares ou contextos de baixa mortalidade neonatal. O uso de antissépticos deve considerar o contexto e ser individualizado pelo pediatra. Não comece a aplicar álcool ou clorexidina por conta própria.
Secreção no umbigo é sempre infecção?
Não. Um granuloma umbilical, pequeno tecido avermelhado que pode aparecer após a queda do coto, também pode produzir secreção.
A aparência pode confundir quem cuida do bebê. Se a região continuar úmida, apresentar secreção ou não cicatrizar, procure o pediatra. Não tente cauterizar nem tratar em casa sem diagnóstico.
Compartilhe com quem cuida de um recém-nascido. Se houver pus, vermelhidão ou mudança no comportamento do bebê, procure atendimento sem esperar a próxima consulta.
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Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria: Cuidados com a pele e anexos do recém-nascido, 2024.
- Academia Americana de Pediatria: cuidados com o cordão umbilical, atualização de 2025.
- NICE: investigação e tratamento de infecções específicas no recém-nascido.
- NICE: fundamentos das recomendações sobre infecção neonatal.
- Kingston and Richmond NHS: alterações umbilicais em crianças.

