Exames e diagnóstico

Exames na UTI: por que os mesmos são repetidos?

Publicado em 02/11/2026
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Exames na UTI: profissional organiza tubos de sangue ao lado de paciente internado.

Exames na UTI, como hemograma, creatinina, eletrólitos e gasometria, ajudam a acompanhar o paciente grave, mas cada solicitação precisa ter um motivo.

Os exames na UTI, sigla de unidade de terapia intensiva, ajudam a acompanhar funções do organismo que podem mudar rapidamente. Por isso, nomes como hemograma, creatinina, sódio, potássio e gasometria aparecem com frequência nos pedidos de pacientes graves.

Isso não significa que todos tenham a mesma doença. Problemas diferentes podem comprometer os mesmos órgãos e provocar alterações semelhantes. Além disso, o tratamento também pode modificar os resultados.

A lista parece igual, mas a pergunta por trás de cada exame pode ser diferente.

Por que doenças diferentes levam a pedidos parecidos?

Uma infecção grave, um trauma e uma complicação cirúrgica têm causas distintas. Mesmo assim, todos podem afetar a circulação, a respiração, os rins e o equilíbrio de água e sais do organismo.

Parte dos exames procura a causa da doença. Outra parte acompanha suas consequências e a resposta ao tratamento. É por isso que um conjunto relativamente pequeno de testes aparece tantas vezes no cuidado intensivo.

Quais exames na UTI aparecem com frequência?

A seleção depende da condição clínica. Entre os exames frequentemente utilizados estão:

  • Hemograma: acompanha hemoglobina, glóbulos brancos e plaquetas, auxiliando na avaliação de anemia, alterações celulares e resposta ao tratamento.
  • Creatinina e ureia: fornecem informações sobre a função renal, interpretadas com a quantidade de urina e outros dados.
  • Sódio e potássio: identificam alterações de eletrólitos, minerais importantes para o equilíbrio de líquidos e o funcionamento de nervos, músculos e coração.
  • Glicose: permite acompanhar quedas ou elevações do açúcar no sangue, inclusive durante o tratamento.
  • Gasometria: avalia a acidez do sangue e parâmetros respiratórios. A avaliação da oxigenação depende do tipo de amostra.

Esses exames fornecem informações complementares. Um hemograma não confirma sozinho uma infecção, assim como a creatinina não resume toda a avaliação dos rins.

Outros testes, como lactato, culturas e exames de coagulação, entram conforme a suspeita clínica. Nas diretrizes internacionais de sepse de 2026, sugere-se medir o lactato em adultos com suspeita ou confirmação da condição. Sepse é uma disfunção de órgãos causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção.

Quando repetir os exames na UTI?

Porque um resultado mostra uma situação daquele momento. Em pacientes instáveis, essa situação pode mudar em poucas horas.

A repetição pode ajudar a verificar se uma alteração está melhorando, se surgiu uma complicação ou se o tratamento precisa de ajuste. A gasometria pode auxiliar na avaliação da resposta ao suporte respiratório.

A comparação entre resultados costuma ser mais informativa do que um número isolado. Ainda assim, não existe um intervalo único de coleta adequado a todos os pacientes.

Repetir todos os exames diariamente é obrigatório?

Não. Estar na UTI não torna obrigatório repetir um painel completo todos os dias.

A campanha Choosing Wisely, com participação de sociedades de terapia intensiva, orienta que exames respondam a perguntas clínicas específicas. A necessidade de pedidos repetitivos deve ser reavaliada diariamente.

Isso permite manter a vigilância necessária e evitar coletas que não acrescentem informação útil. A frequência deve acompanhar a instabilidade do paciente e as decisões que dependem dos resultados.

Coletas desnecessárias causam desconforto e podem contribuir para anemia durante a internação. Também podem gerar investigações adicionais a partir de alterações sem relevância clínica.

Os resultados contam toda a história?

Não. Exames precisam ser interpretados junto com sintomas, exame físico, medicamentos, procedimentos e evolução clínica.

Um lactato elevado não identifica sozinho a causa da alteração. As diretrizes de sepse destacam a necessidade de considerar o contexto e outras causas de elevação.

Para familiares, uma pergunta útil à equipe é: “O que este exame vai ajudar a decidir hoje?” Essa conversa esclarece o acompanhamento sem substituir a avaliação dos profissionais.

Se houver piora súbita da respiração, da consciência ou do estado geral durante a internação, avise imediatamente a equipe. Não espere a próxima coleta.

Leia também: Hipercalemia na urgência: sintomas, exames e tratamento e Gasometria arterial ou venosa: quando cada exame é solicitado?

Compartilhe este artigo com quem acompanha alguém internado. Entender o motivo dos exames ajuda a participar das conversas sobre o cuidado.


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Fontes consultadas