Campanha reforça a importância da prevenção, da testagem e do tratamento precoce de uma infecção que tem cura, mas ainda causa milhares de casos durante a gestação no Brasil
O Outubro Verde chama a atenção para uma infecção conhecida há séculos, que pode ser diagnosticada e tratada, mas que ainda representa um importante problema de saúde pública: a sífilis.
A mobilização ganha destaque em outubro, mês em que também ocorre o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado do mês e instituído pela Lei nº 13.430/2017.
A mensagem é simples: sífilis tem cura, e o diagnóstico precoce pode interromper a transmissão e evitar complicações graves, principalmente durante a gestação.
O que é sífilis?
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum.
A transmissão ocorre principalmente durante relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada. Também pode ocorrer da gestante para o bebê durante a gestação ou no parto, situação conhecida como transmissão vertical.
Um dos problemas é que a pessoa pode ter sífilis e não perceber.
Os sinais e sintomas podem aparecer, desaparecer espontaneamente e dar a falsa impressão de que o problema acabou. A bactéria, porém, pode continuar presente no organismo se não houver tratamento adequado.
Quais são os sintomas da sífilis?
A doença pode passar por diferentes fases.
Na sífilis primária, pode surgir uma ferida geralmente indolor no local de entrada da bactéria, como região genital, boca ou ânus. Essa lesão pode desaparecer mesmo sem tratamento.
Na fase secundária, podem aparecer manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas.
Depois, a doença pode entrar em uma fase chamada latente, na qual a pessoa não apresenta sinais ou sintomas.
Sem tratamento, algumas pessoas podem desenvolver sífilis terciária anos depois, com comprometimento de diferentes órgãos e sistemas, incluindo alterações neurológicas e cardiovasculares.
Por isso, esperar aparecer algum sintoma não é uma estratégia segura.
Como saber se uma pessoa tem sífilis?
O diagnóstico é realizado por meio de testes.
O SUS disponibiliza teste rápido para sífilis, e o resultado reagente precisa ser interpretado pelo profissional de saúde juntamente com a história clínica, possíveis tratamentos anteriores e, quando necessário, outros exames laboratoriais.
Isso é especialmente importante porque os testes treponêmicos, como os testes rápidos, podem permanecer reagentes mesmo depois que uma pessoa foi corretamente tratada e curada.
Exames não treponêmicos, como o VDRL, também fazem parte da investigação e do acompanhamento em diferentes situações.
A interpretação correta dos resultados é fundamental para diferenciar uma infecção ativa de outras situações clínicas.
Sífilis tem cura?
Sim.
A penicilina benzatina é o tratamento de escolha para a sífilis, e o esquema utilizado depende do estágio da infecção.
O tratamento está disponível pelo SUS.
As parcerias sexuais também precisam ser avaliadas e, quando indicado, tratadas. Isso ajuda a interromper a transmissão e reduz o risco de a pessoa tratada adquirir novamente a infecção.
Ter tido sífilis uma vez não produz imunidade. Portanto, é possível ter sífilis novamente.
O que é sífilis congênita?
A sífilis congênita acontece quando a infecção é transmitida da pessoa gestante com sífilis não tratada ou tratada inadequadamente para o bebê.
É justamente nesse ponto que a prevenção pode mudar completamente a história.
O diagnóstico e o tratamento adequado durante a gestação reduzem o risco de transmissão para a criança.
A sífilis durante a gravidez pode estar associada a consequências graves, incluindo aborto espontâneo, parto prematuro, alterações no desenvolvimento do bebê, natimortalidade e morte neonatal.
Além disso, muitos bebês com sífilis congênita podem nascer sem apresentar sinais ou sintomas evidentes.
Por isso, a ausência de sintomas no recém-nascido não exclui o problema.
Quando a gestante deve fazer o teste para sífilis?
Segundo o Ministério da Saúde, a testagem para sífilis durante a gestação deve ocorrer em pelo menos três momentos:
- Na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre;
- No terceiro trimestre da gestação;
- No momento do parto ou em situações de aborto.
Também pode ser necessária nova testagem diante de situações de exposição de risco ou violência sexual.
Se o resultado indicar sífilis durante a gestação, a avaliação e o tratamento devem ocorrer o mais rapidamente possível.
As parcerias sexuais também devem ser avaliadas e tratadas quando indicado, principalmente para evitar uma nova infecção durante a gravidez.
Por que a prevenção da sífilis congênita ainda é tão importante?
Os números brasileiros mostram a dimensão do problema.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025 do Ministério da Saúde, em 2024 foram registrados no Brasil:
- 256.830 casos de sífilis adquirida;
- 89.724 casos de sífilis em gestantes;
- 24.443 casos de sífilis congênita;
- 183 óbitos por sífilis congênita.
A taxa nacional de incidência de sífilis congênita naquele ano foi de 9,6 casos para cada mil nascidos vivos.
Embora o país venha apresentando redução recente nos casos de sífilis congênita, os números continuam elevados e mostram por que diagnóstico, tratamento e acompanhamento pré-natal não podem ser negligenciados.
Como prevenir a sífilis?
O uso regular de preservativo interno ou externo é uma das principais formas de reduzir o risco de transmissão sexual.
Também é importante realizar a testagem quando houver exposição de risco, relação sexual sem preservativo ou diagnóstico de uma IST em uma parceria sexual.
Quando a sífilis é identificada, o tratamento correto da pessoa e a avaliação de suas parcerias ajudam a interromper a cadeia de transmissão.
Durante a gestação, começar o pré-natal precocemente e realizar os testes nos períodos recomendados são medidas fundamentais para prevenir a sífilis congênita.
Outubro Verde: informação também é prevenção
Falar sobre sífilis não deve ser motivo de vergonha.
Trata-se de uma infecção que pode atingir qualquer pessoa sexualmente ativa e que possui diagnóstico e tratamento disponíveis.
O maior risco está em não testar, não diagnosticar ou não completar adequadamente o tratamento.
No caso das gestantes, uma oportunidade perdida de diagnóstico também pode significar uma oportunidade perdida de proteger o bebê.
Por isso, o Outubro Verde precisa deixar uma mensagem que continue válida durante todo o ano:
Previna-se, faça o teste e procure tratamento quando necessário. Sífilis tem cura e a sífilis congênita pode ser prevenida.
Compartilhe esta informação
Conhecer os sinais da sífilis e entender a importância da testagem pode ajudar a interromper a transmissão da infecção.
Compartilhe este artigo com outras pessoas. Se você teve uma situação de risco, apresenta algum sinal suspeito ou está grávida e ainda não realizou os testes recomendados, procure uma Unidade Básica de Saúde ou outro serviço de saúde para receber orientação, realizar a testagem e iniciar o tratamento, se necessário.
