Conheça os tipos de AVC, a diferença entre isquêmico e hemorrágico e por que o atendimento imediato faz diferença.
O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame, acontece quando uma artéria que leva sangue ao cérebro fica obstruída ou quando um vaso se rompe, causando sangramento. Os dois principais tipos de AVC são o isquêmico e o hemorrágico. Ambos são emergências médicas e podem comprometer movimentos, fala, visão e outras funções.
Boca torta, fala alterada ou perda súbita de força exigem ação imediata: ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo 192. Não espere descobrir qual é o tipo de AVC para pedir ajuda.
Quais são os principais tipos de AVC?
AVC isquêmico: uma artéria fica obstruída
É o tipo mais comum. A obstrução impede que sangue e oxigênio cheguem adequadamente a uma região cerebral. Pode ocorrer por um coágulo formado no próprio vaso ou que veio de outro local, como o coração.
O tratamento busca restabelecer a circulação quando isso é possível e seguro. A escolha depende do horário, dos exames e das condições do paciente.
AVC hemorrágico: um vaso se rompe
O sangramento pode acontecer dentro do tecido cerebral, chamado de hemorragia intracerebral, ou no espaço entre o cérebro e uma das membranas que o revestem, a hemorragia subaracnoidea.
Pressão alta e ruptura de aneurisma, uma dilatação na parede de uma artéria, estão entre as causas. O atendimento procura controlar o sangramento e suas consequências.
Quais sintomas de AVC exigem atendimento?
Os sinais geralmente começam de repente. Observe:
- Boca torta ou assimetria no rosto.
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
- Dificuldade para falar ou compreender.
- Perda de visão ou visão dupla.
- Desequilíbrio intenso ou dificuldade para caminhar.
- Dor de cabeça súbita, muito forte e diferente do habitual.
Não é necessário apresentar todos os sintomas. Uma alteração súbita já pode justificar atendimento de emergência.
Os sintomas, sozinhos, não permitem distinguir com segurança os tipos de AVC. Essa diferenciação exige avaliação médica e exames de imagem.
O que fazer enquanto o socorro chega?
Acione o 192 e siga as orientações recebidas. Informe quando os sintomas começaram. Se a pessoa acordou com alterações, diga quando foi vista bem pela última vez. Quem apresenta os sintomas não deve dirigir.
Não ofereça alimentos, bebidas ou medicamentos por conta própria. O AVC pode dificultar a deglutição. A aspirina, por exemplo, pode agravar um sangramento cerebral. Não dê doses extras de remédio para baixar a pressão sem orientação.
Quais exames diferenciam os tipos de AVC?
A tomografia computadorizada de crânio sem contraste costuma ser o primeiro exame de imagem. Ela permite identificar sangramento e orientar decisões rápidas.
Uma tomografia sem alterações evidentes, porém, não exclui AVC isquêmico nas primeiras horas. Conforme o caso, a equipe pode solicitar ressonância magnética e exames dos vasos, como angiotomografia.
A glicemia também é verificada rapidamente, porque a hipoglicemia, que é a queda da glicose no sangue, pode produzir sinais semelhantes aos de um AVC. Outros exames de sangue ajudam na avaliação e na segurança do tratamento, mas não substituem o exame neurológico e a imagem cerebral.
Como o tratamento muda entre os tipos de AVC?
No AVC isquêmico, pacientes selecionados podem receber trombólise, medicamento para dissolver o coágulo, geralmente até 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas. Há situações específicas em que exames avançados permitem considerar tratamento além desse intervalo.
A trombectomia mecânica, retirada do coágulo por cateter, pode ser indicada em determinadas obstruções de grandes artérias, inclusive até 24 horas em casos selecionados. Esses prazos não são autorização para esperar: quanto antes ocorrer a avaliação, melhor.
No AVC hemorrágico, os cuidados podem incluir controle monitorado da pressão, reversão do efeito de anticoagulantes quando indicada e procedimentos cirúrgicos ou por cateter. Nem todo paciente precisa de cirurgia.
Se os sintomas desaparecerem, ainda é emergência?
Sim. Pode ser um ataque isquêmico transitório (AIT), causado por uma interrupção temporária da circulação, sem infarto agudo identificado. A melhora também pode acontecer em um AVC já estabelecido. Somente a avaliação profissional diferencia essas situações.
Leia também: Ataque isquêmico transitório: sintomas e quando buscar ajuda e Qual a diferença entre urgência e emergência?
Compartilhe para que mais pessoas reconheçam os sinais. Diante de uma alteração súbita na fala, no rosto ou na força, ligue 192.
Para profissionais de laboratório
A qualidade dos exames também faz parte do atendimento de emergência. Conheça o e-book “Boas práticas laboratoriais: Você pratica?”, disponível na página de e-books do Alerta Saúde. Acesse também o Analista On-line, voltado aos profissionais de laboratório.

