Dor no peito, palpitação e falta de ar podem acompanhar uma crise de ansiedade, mas precisam ser avaliadas antes de serem atribuídas ao sofrimento emocional.
Ansiedade é uma reação de alerta do organismo diante de ameaças ou situações incertas. A expressão ansiedade na urgência descreve situações em que esse sofrimento, acompanhado de sintomas físicos intensos, leva a pessoa a procurar atendimento imediato.
Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, que atinge o pico em poucos minutos. Pode acontecer em diferentes situações e, isoladamente, não significa que a pessoa tenha transtorno do pânico.
Quais sintomas podem aparecer?
Uma crise pode provocar:
- Coração acelerado ou palpitações.
- Falta de ar ou sensação de sufocamento.
- Dor ou desconforto no peito.
- Tremores, suor e ondas de calor ou frio.
- Tontura, náusea e formigamento.
- Medo intenso de morrer ou perder o controle.
Esses sintomas são reais e podem assustar muito. Entretanto, também aparecem em doenças cardíacas, respiratórias e metabólicas. Não é possível confirmar uma crise de ansiedade apenas pela descrição dos sintomas.
Ansiedade na urgência: quando procurar atendimento?
Procure avaliação imediata diante de dor no peito nova ou intensa, falta de ar importante, desmaio, confusão ou piora progressiva.
Alteração súbita da fala, perda de força em um lado do corpo ou desvio da boca também exigem atendimento emergencial. Nessas situações, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo 192. Não dirija se estiver passando mal.
Mesmo quem já recebeu diagnóstico de ansiedade precisa ser reavaliado quando os sintomas mudam. Ter crises anteriores não impede que outra doença aconteça.
Como é feita a avaliação no pronto atendimento?
A equipe investiga o início dos sintomas, episódios anteriores, doenças conhecidas e uso de medicamentos, álcool, cafeína ou outras substâncias. Também verifica sinais vitais e realiza o exame físico.
Conforme os achados, pode ser necessário investigar condições que se parecem com uma crise de pânico, como arritmias, doença coronariana ou alterações da tireoide. A extensão da investigação depende do quadro clínico, sem uma lista obrigatória de exames para todos.
Quais exames podem ser necessários?
Não existe exame de sangue que, sozinho, confirme ansiedade. Os exames são escolhidos para investigar outras explicações para os sintomas.
Dependendo da suspeita, a avaliação pode incluir eletrocardiograma, glicemia e exames laboratoriais direcionados. Troponina pode ser solicitada quando há suspeita de lesão cardíaca. Gasometria pode ajudar em situações específicas de alteração respiratória ou do equilíbrio ácido-base, mas não é rotina em toda crise.
Um resultado normal isolado não encerra necessariamente a investigação. É preciso considerar o momento da coleta, os sintomas e a avaliação médica.
Para entender esse último exame, leia: Gasometria arterial ou venosa: quando cada exame é solicitado e qual a diferença?
O que ajuda durante uma crise?
Enquanto busca orientação, permaneça em um local seguro, sente-se confortavelmente e, se possível, fique acompanhado. Tente respirar de maneira lenta e confortável, sem forçar inspirações profundas repetidas.
Quem acompanha pode falar com calma, ouvir e reconhecer o sofrimento. Frases como “isso é frescura” ou “é só se controlar” dificultam o acolhimento.
No atendimento, depois da avaliação de possíveis causas clínicas, explicações claras e orientação respiratória podem ajudar. Medicamentos podem ser necessários em alguns casos, sempre com indicação e supervisão profissional. Não use calmantes por conta própria nem misture medicamentos com álcool.
Depois da crise, o cuidado continua
A melhora no pronto atendimento não substitui o acompanhamento. Crises repetidas, medo de novos episódios ou prejuízo no sono, trabalho e convivência merecem avaliação na Unidade Básica de Saúde ou com profissionais de saúde mental.
A terapia cognitivo-comportamental e, quando indicados, medicamentos fazem parte do tratamento do transtorno do pânico. A escolha depende da avaliação individual.
Leia também: Depressão, ansiedade e tristeza: diferenças e quando buscar ajuda.
Compartilhe este conteúdo. Se os sintomas forem novos, intensos ou diferentes do habitual, procure atendimento em vez de concluir que é ansiedade.
Para profissionais de laboratório
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