A sensação de quase desmaio merece atenção, principalmente quando vem acompanhada de dor no peito, falta de ar ou palpitações. Entenda como é feita a avaliação.
Lipotimia na urgência é uma queixa que exige atenção ao contexto. Lipotimia significa sensação de desmaio iminente, geralmente sem perda completa da consciência. Também chamada de pré-síncope, pode provocar fraqueza, suor frio, palidez e escurecimento da visão. Na síncope, ocorre perda breve da consciência, com recuperação espontânea.
Continuar acordado durante o episódio não garante que a causa seja simples. Um estudo multicêntrico com pacientes a partir de 40 anos encontrou frequência semelhante de eventos cardíacos graves após atendimentos por pré-síncope e síncope sem causa esclarecida. Isso não permite atribuir o mesmo risco a todas as pessoas, mas reforça a necessidade de avaliação cuidadosa.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA LIPOTIMIA?
Além da sensação de quase desmaio, podem surgir:
- Tontura e fraqueza.
- Visão escurecida ou embaçada.
- Suor frio e palidez.
- Náusea e sensação de calor.
- Dificuldade para permanecer em pé.
Esses sintomas não identificam a causa sozinhos. É importante observar o que a pessoa fazia, em qual posição estava e quais manifestações apareceram antes do episódio.
O QUE PODE CAUSAR A SENSAÇÃO DE DESMAIO?
Calor, dor, emoção intensa e permanência prolongada em pé podem desencadear uma reação vasovagal, com queda da pressão arterial e, em alguns casos, redução dos batimentos cardíacos.
Outra possibilidade é a hipotensão ortostática, queda da pressão ao levantar. Desidratação e determinados medicamentos podem contribuir.
Também precisam ser consideradas causas como arritmias, sangramento e doenças cardíacas. Hipoglicemia, que significa glicose baixa no sangue, pode produzir sintomas semelhantes e exige uma abordagem própria. Não é seguro concluir que todo episódio seja apenas fome, ansiedade ou “pressão baixa”.
LIPOTIMIA NA URGÊNCIA: QUANDO PROCURAR AJUDA?
Procure atendimento imediato quando a sensação de desmaio vier acompanhada de:
- Dor no peito, falta de ar ou palpitações importantes.
- Dificuldade para falar, fraqueza de um lado do corpo ou recuperação incompleta.
- Sangramento evidente ou suspeita de perda importante de sangue.
- Episódio durante esforço físico ou quando a pessoa estava deitada.
- Queda com ferimento relevante.
Doença cardíaca conhecida e histórico familiar de morte súbita também aumentam a preocupação. Episódios repetidos ou sem explicação precisam de investigação, mesmo quando há melhora espontânea.
O QUE FAZER NA HORA?
Ao perceber que vai desmaiar, deite-se em um local seguro e, se possível, eleve as pernas. Se não conseguir deitar, sente-se imediatamente para reduzir o risco de queda. Depois da melhora, levante devagar.
Não tente continuar caminhando nem dirigir enquanto estiver passando mal. Não ofereça alimentos, líquidos ou medicamentos a uma pessoa inconsciente ou com dificuldade para engolir.
Se houver perda de consciência, ausência de respiração normal ou algum sinal de gravidade, acione o serviço de emergência.
QUAIS EXAMES PODEM SER NECESSÁRIOS?
A avaliação da lipotimia na urgência começa pela história do episódio, pelos medicamentos utilizados e pelo exame físico. Conforme a situação, inclui pressão arterial deitada e em pé e eletrocardiograma (ECG), exame que registra a atividade elétrica do coração.
Os exames laboratoriais devem responder às suspeitas clínicas:
- Glicemia: quando houver suspeita de hipoglicemia.
- Hemograma: diante de possível anemia ou sangramento.
- Eletrólitos e função renal: conforme perdas de líquidos, medicamentos e doenças associadas.
- Troponina: quando houver suspeita de comprometimento cardíaco por isquemia.
Não existe um painel obrigatório para toda lipotimia. Um ECG normal isolado pode não registrar uma arritmia intermitente, e exames de sangue normais não encerram a investigação quando existem sinais de alerta.
Alterações do potássio podem interferir no ritmo cardíaco. Entenda melhor em Hipercalemia na urgência: sintomas, exames e tratamento.
COMO É FEITO O TRATAMENTO?
O tratamento depende da causa. Pode envolver correção de desidratação, manejo de hipoglicemia, revisão médica de medicamentos ou atendimento de problemas cardíacos e sangramentos.
Nem toda pessoa precisa de soro, açúcar ou internação. A decisão considera os sintomas, os achados da avaliação e o risco de complicações. Não suspenda medicamentos nem tente corrigir o problema por conta própria.
Compartilhe este artigo. Se a sensação de desmaio se repetir ou aparecer com sinais de alerta, procure atendimento.
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