A policitemia vera na urgência merece atenção pelo risco de trombose e sangramento. Entenda os sinais de alerta e como o laboratório ajuda na investigação. Embora geralmente evolua de forma lenta, a doença pode ser descoberta durante a investigação de uma complicação, como AVC, infarto ou trombose venosa.
Mas um cuidado é essencial: hemoglobina e hematócrito elevados, sozinhos, não confirmam policitemia vera. O resultado precisa ser avaliado junto aos sintomas, ao histórico e a outros exames.
O que é policitemia vera?
A policitemia vera é uma neoplasia mieloproliferativa, um tipo de câncer do sangue em que a medula óssea produz células em excesso, principalmente hemácias. Leucócitos e plaquetas também podem aumentar.
Quase todos os pacientes apresentam uma alteração no gene JAK2, geralmente adquirida ao longo da vida. O excesso de células aumenta a viscosidade do sangue e favorece problemas na circulação e a formação de coágulos.
Policitemia vera na urgência: quando procurar atendimento?
Quem tem policitemia vera deve procurar atendimento imediato diante de sinais como:
- Dor no peito ou falta de ar de início súbito.
- Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda súbita da visão.
- Dor e inchaço em uma perna, especialmente quando aparecem de um lado só.
- Sangramento intenso ou persistente.
Esses sintomas podem indicar complicações graves. Não espere uma consulta de rotina nem um novo hemograma para buscar ajuda.
Dor abdominal intensa e sem explicação também exige avaliação. A doença pode causar trombose em vasos do abdome, incluindo os que levam sangue ao fígado e ao intestino.
Quais sintomas podem levantar a suspeita?
Dor de cabeça, tontura, visão embaçada, cansaço e coceira após o banho podem aparecer na policitemia vera. Algumas pessoas também apresentam vermelhidão na pele ou sensação de peso na parte superior esquerda do abdome, relacionada ao aumento do baço.
Esses sinais não são exclusivos da doença. Por isso, precisam de investigação, principalmente quando acompanham alterações persistentes no hemograma.
Quais exames ajudam na investigação?
O hemograma costuma ser o ponto de partida. Ele permite avaliar hemoglobina, hematócrito, hemácias, leucócitos e plaquetas.
Na investigação em adultos, hemoglobina acima de 16,5 g/dL em homens ou 16,0 g/dL em mulheres, ou hematócrito acima de 49% e 48%, respectivamente, integram os critérios diagnósticos. Entretanto, ultrapassar esses valores não basta para fechar o diagnóstico.
A avaliação pode incluir pesquisa de mutações no JAK2, dosagem de eritropoietina e biópsia de medula óssea. A eritropoietina abaixo da referência é um achado que ajuda na investigação.
Na urgência, os exames também devem investigar a complicação suspeita. A confirmação da doença de base não deve atrasar o atendimento de um possível AVC, infarto ou tromboembolismo.
Hematócrito alto é sempre policitemia vera?
Não. A desidratação pode elevar o hematócrito pela redução do volume de plasma, sem aumento real da quantidade de hemácias.
Tabagismo, apneia do sono, doenças que reduzem a oxigenação e uso de testosterona também podem estar associados à elevação. Diferenciar essas situações evita diagnósticos e tratamentos inadequados. Nem todo hematócrito alto precisa de sangria.
Como é tratada a policitemia vera na urgência?
A prioridade é identificar e tratar a complicação. Quando há trombose aguda em paciente com policitemia vera e hematócrito sem controle, a equipe pode indicar sangria terapêutica para reduzi-lo a menos de 45%, além das medidas específicas para o evento.
O hematologista também avalia a necessidade de medicamentos para controlar a produção de células sanguíneas. AAS e anticoagulantes dependem da indicação e do risco de sangramento. Não devem ser iniciados por conta própria.
Após o atendimento, o acompanhamento regular continua sendo essencial para controlar a doença e reduzir novas complicações.
Compartilhe este artigo com quem precisa conhecer esses sinais. Se você tem policitemia vera, mantenha o acompanhamento e procure atendimento imediato diante de sintomas novos ou súbitos.
Fontes consultadas
- MedlinePlus: policitemia vera, sintomas, exames e tratamento
- National Cancer Institute: diagnóstico e tratamento das neoplasias mieloproliferativas
- British Society for Haematology: manejo de situações específicas na policitemia vera
- NHLBI: sintomas de distúrbios de coagulação
- CMAJ: investigação e manejo da eritrocitose

