Entenda as diferenças entre os procedimentos, os prazos previstos na legislação e os cuidados que ajudam a proteger a qualidade dos exames.
A calibração e manutenção de equipamentos laboratoriais envolve cuidados diferentes para manter os aparelhos em condições adequadas de uso. Calibrar é estabelecer a relação entre a indicação de um instrumento e valores de referência. Manter é prevenir ou corrigir falhas que podem comprometer seu funcionamento.
Esses cuidados são essenciais porque a aparência de funcionamento normal não garante, por si só, que um equipamento esteja produzindo resultados confiáveis.
QUAL A DIFERENÇA ENTRE CALIBRAÇÃO E MANUTENÇÃO?
- Calibração: estabelece a relação entre a medição do equipamento e valores de referência. Dependendo do sistema e dos resultados, pode ser necessário ajuste.
- Manutenção preventiva: reúne ações programadas, como limpeza, inspeção e substituição de peças, conforme o equipamento e seu fabricante.
- Manutenção corretiva: procura solucionar falhas já identificadas.
- Verificação de desempenho: confirma se o equipamento atende aos critérios necessários para o uso previsto.
Esses procedimentos se complementam, mas um não substitui o outro.
QUAIS EQUIPAMENTOS PRECISAM DESSES CUIDADOS?
Analisadores de bioquímica, hematologia e coagulação, centrífugas, micropipetas, balanças, termômetros, geladeiras e freezers exigem acompanhamento adequado às suas funções. Os métodos de verificação e as necessidades de calibração variam conforme o aparelho.
Em uma centrífuga, por exemplo, a velocidade e as condições do rotor merecem atenção. Em uma micropipeta, o volume dispensado precisa ser confiável. Nos equipamentos de refrigeração, a temperatura deve ser monitorada e registrada quando aplicável.
QUAL É A PERIODICIDADE EXIGIDA?
No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 978/2025, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabelece regras para serviços que executam Exames de Análises Clínicas (EAC). A norma recebeu alterações posteriores, incluindo as RDCs nº 986/2025 e nº 1.043/2026.
Segundo os artigos 92 e 94, o serviço deve manter registros de manutenção preventiva e corretiva e procedimentos documentados para calibração. Na ausência de periodicidade definida pelo fabricante, a manutenção preventiva e a calibração devem ocorrer, no mínimo, uma vez ao ano, conforme as condições previstas nesses artigos.
Esse prazo mínimo não significa que todos os procedimentos possam esperar doze meses. Determinados equipamentos, verificações e métodos exigem cuidados mais frequentes.
QUANDO É PRECISO VERIFICAR O EQUIPAMENTO NOVAMENTE?
- Na instalação e antes do início de uso, conforme a qualificação necessária.
- Após reparos ou troca de componentes que possam afetar as medições.
- Quando controles apresentarem resultados fora dos critérios estabelecidos.
- Após ocorrências que levantem dúvidas sobre o funcionamento do equipamento.
- Nos intervalos previstos pelo fabricante e pelos procedimentos do laboratório.
O retorno à rotina deve ocorrer somente depois da avaliação necessária para demonstrar que o equipamento está apto ao uso.
CALIBRAÇÃO SUBSTITUI O CONTROLE DA QUALIDADE?
Não. O Controle Interno da Qualidade (CIQ) acompanha o desempenho analítico com materiais e critérios definidos. O Controle Externo da Qualidade (CEQ) avalia o desempenho por meio de programas externos. Ambos ajudam a identificar problemas que podem surgir mesmo quando a calibração está dentro do prazo.
Falhas também podem envolver reagentes, conservação de amostras, manutenção inadequada ou erros de procedimento. Por isso, nem todo resultado inesperado deve ser atribuído à calibração.
O QUE FAZER QUANDO HÁ SUSPEITA DE FALHA?
- Suspender o uso do equipamento ou método afetado, conforme a gravidade.
- Registrar a ocorrência e comunicar o responsável técnico.
- Investigar a causa e solicitar assistência, quando necessário.
- Verificar se resultados já liberados podem ter sido comprometidos.
- Comprovar o desempenho adequado antes de retomar as análises.
Se houver risco de resultados incorretos já emitidos, o laboratório precisa avaliar a comunicação aos envolvidos e a eventual retificação dos laudos, conforme seus procedimentos.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA O PACIENTE?
Uma falha pode alterar valores de exames e influenciar decisões clínicas. A interpretação dos resultados deve considerar a avaliação profissional, o quadro clínico e outras informações do paciente. Um resultado isolado não deve ser usado para autodiagnóstico.
Para compreender melhor como os aparelhos se integram à rotina, leia como funciona a estrutura laboratorial e o artigo sobre gestão de risco no laboratório.
Compartilhe este conteúdo com quem trabalha em análises clínicas e incentive a conferência dos registros e das condições dos equipamentos antes da liberação de exames.
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